Trabalho Missionário na Aldeia Dazakrui Karêhú, indígenas da etnia Xerente - Tocantins
“Zaprõnkwa”, que significa “aquele que conduz o povo ou alguém”.
No dia 04 de janeiro de 2016, em Viagem realizada com recursos da APOIORT.
“Se quiseres levar da água da vida ao a um hindu, leve em um copo hindu”
O trabalho surgiu por meio de outro projeto de minha autoria, denominado “Missões Online”, falarei deste projeto em outra postagem.
Em visitação a aldeia, fui acolhido por quem também estava de passagem, uma família indígena do povo Xakriabá. O tempo em que fiquei na aldeia, tive a oportunidade de conhecer um pouco da cultura Xakriabá e Xerente, seus hábitos cotidianos, suas histórias e também sua dor. Era difícil estabelecer contato com minha família, igreja, mas meu novo amigo, levou-me a uma região da mata isolada, e subindo nas arvores era possível conseguir sinal em meu aparelho celular.
À noite, olhando para o céu, parecia que as estrelas haviam marcado encontro em mesmo lugar, ao fundo, o miado da onça não podia me podia assustar, nunca esquecerei aquelas noites e suas singularidades.
Da cultura falo, mas propus não ensinar a quem não entende, antes só quer julgar. Participei de grandes banquetes, talvez simples aos olhos do julgador, mais de um paladar de excelência, digno de apreciação.
O diferente nos causa medo, mais se prestarmos atenção, veremos que a diferença muitas vezes não passa de um detalhe de menor relevância; cremos em D’us, a quem os indígenas da etnia Xakriabá e Xerente, chamam de Whaptôkwa Zawré, criador de todas as coisas, que seu poder é tão grande que mora atrás do sol para não nos fustigar com sua Luz, ensinou o indígena amar sua criação e a respeitar ao seu próximo como semelhante, a repartir o pouco tem.
Quero frisar o quanto tem sido danosa, as ações missionárias realizadas por obreiros sem nenhum preparo especifico para alguns tipos de serviços, nesse contexto o missionário transcultural em missões indígena, que tem por impulso de sua cultura, querer que o indígena use roupas como na cultura do não indígena; a nudez para o indígena é a falta de sua pintura, as quais usam com orgulho, pois é a marca de seu povo, é como seu sobrenome.
Os indígenas por viverem isolados da sociedade civil do mundo moderno, não desenvolvem as mesmas barreiras de proteção naturais do organismo (anticorpos), por isso a introdução de roupas, doces e outros alimentos industrializados, devem ser evitadas.
A exemplo do que estou falando, embora de outra circunstância, encontraremos na história sobre os indígenas da etnia Goytacá (Goytacaz ou Goytacazes), que viviam da região Norte Fluminense, que tem origem em seu nome, Campos dos Goytacazes, até a região de São Mateus – ES. Eram descritos como sendo altos, cabeludos e de muita agressividade, resistiram a ações colonizadoras, até uma epidemia de varíola os dizimar, a doença foi introduzida por meio das roupas que lhes eram enviadas.
Há muitos indígenas adoecendo e até morrendo precocemente pelo desequilíbrio da relação do indígena com o não indígena, doenças como Distúrbio da Tireoide, obesidade, problemas cardiovasculares, problemas renais e doenças virais e bacterianas, podem ser consequência da relação direta com a sociedade não indígena.
Senti-me honrado em ser convidado a participar de seu mundo e após receber a pintura Xakriabá, ganhei também um nome, “Zaprõnkwa”, que significa “aquele que conduz o povo ou alguém”.
Ainda hoje mantemos contato, fomos frustrados na luta por terras em Aguianópolis -TO, o que obrigou os irmãos Xakriaba, a retornarem para São João das Missões – MG, terras disputadas por indígenas dessa etnia com fazendeiros que se apropriam indevidamente, contudo uma área de terras nos foi cedida, lá não há água em superfície o que dificulta a sobrevivência, será preciso buscar água no subsolo, nessas terras, temos o desafio de plantar uma aldeia projetada de forma a garantir a subsistência de nossos irmãos indígenas Xakriaba, e reine o temor a Waptôkwa Zawré, na certeza de que um dia Ele voltará e levará seu povo.

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